Caminhos da Floresta – Capítulo 6

O silêncio que se seguiu foi incômodo. A cabeça da sentinela latejava com todas as perguntas e com as respostas, que inconscientemente não queria saber. Nirna parecia uma estátua em pedra belamente esculpida. O vento soprou entre as árvores, uma, duas até que algum dos dois saísse do torpor.

– Nirna.. eu – ela percebeu que ele tinha receio de continuar, tropeçou em algumas palavras e então respirou fundo, se acalmou e continuou – Eu não sabia… sua mãe sumiu a muito tempo atrás.. e… – novamente o velho amigo silêncio.

Passou alguns bons minutos antes que Nirna esboçasse alguma reação e a que ela esboçou foi virar-se de costas.

– Você nem ao menos tentou procurá-la? – tentava controlar a voz, mas a dor era explícita em cada palavra.

Ele meneou a cabeça, abatido.

– Ela me disse apenas que precisava de um tempo. Eu nunca imaginei, Nirna! – ele tocou em meu ombro, e eu lhe dei um safanão, retirando-lhe a mão.

– Você faz a mínima ideia do que é crescer, sem saber onde você pertence? Tem ideia de como é tortuoso e difícil viver entre animais, que poderiam muito bem arrancar-lhe a vida? Pois então “pai” -disse com tom de desdém – eu sou filha dos espreitanoite. Eles são minha única família! – ela proferiu, virou-se e voltou caminho adentro correndo, para onde morava.

Os dois dias que se seguiram foram profundamente difíceis para a elfa, passava a maior parte do tempo pensando em Valloren e na saudade que sentia, e na outra parte pensava no pai recém descoberto, acabou pensando em como ele estaria, se ela tinha sido muito rude com ele, balançou furiosamente a cabeça “Eu não tenho mais família”. Na manhã do quarto dia, ela acordou com uma visita inesperada. Faeron estava deitado ao seu lado na cama, desperto. O pequeno felino era companhia inseparável de Valloren e ali, só por alguns minutos, se permitiu um sorriso de felicidade.

– Faeron! Que saudades de você – abraçou o pequeno felino rosa e roçou o nariz de leve na testa dele que a saudou com um “Meawn Murnh”. – Onde está Valloren?

– Estou aqui, Nirna – e lhe deu um sorriso, o coração da elfa parou no exato momento, e involuntariamente sorriu de volta. – Como você está? – disse adentrando o pequeno quarto dela.

– Ahm, eu estou… – pensou na possibilidade de contar o encontro que teve com o “pai”, mas aquele era um momento de alegria e dela poder passar o quanto de tempo pudesse ao lado dele. – Estou bem. E você como foi a viagem e a missão?

– Ah! A missão foi bem simples, um demônio escondido nas proximidades da base da organização. – manteve o sorriso e sentou-se próximo  aos pés dela – Nirna tem algo que… – ele vacilou um pouco, erguendo a cabeça e a olhando nos olhos, por trás da venda, sentiu o olhar de dúvida – Eu preciso te contar…

A expressão da sentinela murchou um pouco, e logo os pensamentos de auto sabotagem surgiram na face dela, mas se recompôs e deu-lhe um sorriso leve, compelindo-o a continuar.

– Eu… vou precisar fazer uma viagem… e vou ter que ficar por muito tempo longe.. – ele suspirou.

O coração da elfa parou. Sentiu que ele iria explodir no peito, a dor foi tão forte que a fez perder o ar momentaneamente, e ela abraçou mais forte o felino em seu colo, enquanto esperava que ele continuasse.

– E Nirna, eu quero que você venha comigo. Eu não aguento ficar longe de você, e se achar que eu estou sendo estúpi…- ele fora interrompido pela elfa que se jogou em seus braços, apertando Faeron entre eles, que miou em protesto, Valloren passou os braços ao redor da elfa, e a deixou chorar toda a tristeza para fora.

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A maluca por RP e por escrever. Acha que as elfas noturnas deveriam ter emotes menos chamativos.